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MUNICÍPIO DE INÁCIO MARTINS COMPLETA 55 ANOS DE EMANCIPAÇÃO

Conheça um pouco da história da cidade que comemora mais um ano de emancipação nesta sexta-feira (25);
         
Em 1943, chegaram a Inácio Martins os trilhos da linha férrea São Paulo – Rio Grande do Sul. Com a estrada de ferro, surgiram os primeiros compradores de pinheiros e iniciou-se a extração da madeira em larga escala. Neste período o povoamento teve um acelerado crescimento devido à estrada de ferro e à abundância de florestas com madeira de lei. O reflorestamento com pinus permitiu que, ainda hoje, as atividades madeireiras continuam sendo, economicamente, as mais importantes, seguidas pela cultura da erva-mate.
Criado através da Lei Estadual n°4.245 de 25 de julho de 1960, o município foi instalado oficialmente em 25 de novembro de 1961, sendo desmembrado de Guarapuava. O antigo distrito de Guarapuava, recebeu o nome de Guarapuavinha. Sua sede está localizada no 3º Planalto, na Serra da Esperança, a 25º 34 latitude Sul e 51º 4 latitude Oeste a 1.198 metros de altitude do nível do mar, sendo o município mais alto do Paraná com uma área de 898,431 Km.


O nome “Ignácio Martins”, surgiu em homenagem ao Engenheiro da Estrada de Ferro quando em construção, cuja estação também leva este nome e posteriormente a Coletoria e o Cartório levaram o mesmo nome. Foi então feito um requerimento para a Assembleia, correspondência esta transportada por estafeta* em animais, por Indalécio Pereira, e entregue para o Deputado Antônio Lustosa, representante do Distrito, para mudar o nome para Inácio Martins, suprimindo o “g” no Ignácio.
Em 25 de julho de 1960, pela Lei 4245 criou-se o município de Inácio Martins, que teve sua instalação oficializada somente em 25 de novembro de 1961. Até que houvesse eleições, por Atos de Interventor Manoel Ribas, foi nomeado como prefeito o Sr. Valdomiro Ferreira Caldas, que era vereador da Comarca de Guarapuava, ficando no cargo aproximadamente 7 meses. Com as primeiras eleições, foi eleito como Prefeito do município pelo partido UDN – União Democrática Nacional – o Senhor Aragão de Mattos Leão, sendo o mesmo Candidato único. Assumiu do dia 25 de novembro de 1961. Os primeiros vereadores do então município de Inácio Martins foram: Francisco Ferreira da Silva, Antonio Piakosk; Arcílio Massuqueto; Joaquim Luís de Andrade; João Pedroso de Oliveira Filho; Eduardo Hoescht; Azize M. Hauage; Antonio Aleixo Thomas; Cipriano de º Maceno; Vitor Horny e Zacarias Moreira. A extensão geográfica do município é de 898,431 Km com distância da capital do Paraná (Curitiba) de 211km, tendo como limites os municípios de: Norte: Prudentópolis, a Leste: Rio Azul e Irati; a Sul: Cruz Machado e a Oeste com Guarapuava e Pinhão. As vias de acesso a esses municípios, são de terra e cascalho, com pavimentação asfáltica apenas para Irati.
A ousadia de penetrar o sertão e domina-lo, as incríveis dificuldades enfrentadas, por vez com sacrifícios de vida; o heroísmo em derrubar a transitável floresta, repleta de surpresas, afim de acordar a terra virgem, adormecida a séculos sem fim, e trazê-la para o esplendor da cultura e da civilização; a viagem abrindo “picadas” transportando mudanças e filhos; a falta de recursos financeiros, dependendo exclusivamente das economias da terra de origem,; estes e tantos outros são fatos ocorridos na história dos bravos pioneiros.
A ocupação de Inácio Martins coincidiu com a leva de imigrantes chegando ao Brasil, vindos de outros países como Itália, Portugal e Alemanha. Em 1901 a população brasileira supera 17 milhões de habitantes e desses brasileiros, 64% vivem no campo – e deles faz parte um elemento recente, os mais de 800 mil emigrantes europeus que ingressavam no país só nas últimas três décadas. Cerca de 580 mil chegaram do sul da Itália para as regiões centro-sul.
A saga dos corajosos desbravadores, que partindo de outras regiões do Estado do Paraná e até mesmo imigrando de outros Estados e países, nem desejo heroico de conquista, identifica-se perfeitamente com a aventura dos pioneiros europeus, que fundaram centenas de cidades, dentre estas, o município de Inácio Martins, que na época de sua colonização pertencia ao Município de Guarapuava, a qual era habitada por indígenas. Tanto é que, ainda hoje, temos uma reserva em nosso município. Apesar de todos os perigos e dificuldades, algumas famílias se dispuseram a enfrentar e habitar a região, tendo início a colonização do município de Inácio Martins, por volta do ano de 1892, com a vinda dos imigrantes, os quais receberam as terras e se propuseram a explorá-las para dali tirar seu sustento. Os primeiros imigrantes eram de origem polonesa, inglesa, alemã e italiana. Também vieram migrantes de regiões próximas, especialmente para explorar as matas com a extração da madeira, além da erva-mate, dando origem às serrarias, as quais deram grande impulso à construção de inúmeros povoados.
No início da colonização, o município transformou-se em grandes latifundiários, onde grande parte dos proprietários eram donos das serrarias e tinham como único e exclusivo objetivo, explorar as terras do município, para a extração da madeira que existe em grande abundância, especialmente imbuía, pinheiro, além da erva-mate. Desta exploração restou apenas a devastação em larga escala de matas nativas, as quais na atualidade estão sendo reflorescidas, por pinus ou erva-mate. As serrarias que exploraram a madeira, com sua escassez, migraram para outros municípios, restando os latifúndios inabitados e improdutivos. Inácio Martins durante a década de 1950 e 1960 teve um vasto progresso, devido especialmente à linha férrea. Existiam dois clubes Recreativos, sendo eles o Clube Operário e o Guarapuavinha; este teve iniciada sua construção em dezembro de 1945 e término da obra em 26 de fevereiro de 1953. A demora na construção foi devido à falta de recursos financeiros, tendo a diretoria que lançar um “Livro Ouro” para angariar fundos para sua conclusão.
Os munícipes também contavam com uma casa de cinema, dois campos de futebol, cancha de bocha, além de várias casas de comercio, chamadas de “Bodega”, isto tudo devido às pessoas que vinham de outras cidades, especialmente região centro-oeste e oeste do Paraná, para seguirem viagem de trem até os centros maiores. Fundação do Município Os principais fundadores do município foram as famílias Stresser e Scheleder, além de outras como Martins de Campos e Orives. As famílias Stresser e Scheleder eram de origem inglesa e alemã, que haviam imigrado para o Brasil em 1860, fixando-se em Cerro Azul e Curitiba, por volta do ano de 1875, receberam do imperador uma gleba de terras no município de Guarapuava. O local escolhido foi denominado de Boa Vista. Essas terras correspondiam do atual São Miguel até Itapará, na Serra da Esperança, cerca de 30Km de extensão. A sede do distrito localizava-se na atual, tendo na atual colônia dos Stresser, cerca de 8 km da sede atual, tendo como escrivão o Sr Augusto Pletz Stresse. O local onde fixaram suas residências passou a chamar-se Guarapuavinha, Distrito de Guarapuava, isto por volta de 1892. Ali construiriam casas, armazéns, cemitério, etc. Essas famílias eram de religião luterana e espírita, razão pela qual não havia igreja católica no local. Só mais tarde foi construída uma capela em louvor à Santíssima Trindade, no atual Rio Pequeno, a Capela do Divino Espírito Santo, como o Pe. João Ponkgeba rezando a primeira missa.
Como as dificuldades eram muitas, a única forma de sobreviver era a agricultura de subsistência e a fonte de renda desses pioneiros era a extração da erva-mate. O comércio da erva-mate era feito em Irati e Mallet, e era transportado em lombos de cavalos e mulas, chamadas ‘tropas”, por caminhos estreitos e pedregosos, chamados de “picadas”, via Itapará. Ainda hoje existe vestígios desses caminhos. Na volta traziam açúcar amarelo conhecido como “mascavo”, além de sal e farinha de mandioca. Outro produto de exploração efetuado na região era a casca de gramumunha, utilizado no curtume de couro a qual também era transportada em lombos de animais, nos chamados cargueiros, para as cidades de Irati e Rebouças. Devido à dificuldade de comércio e a escassez dos produtos, teve início a exploração da madeira, que era feita por corte manual, através de traçadeiras-serras americanas e estaleirados por tração animal, sendo que o dormente foi uma das mais importantes fontes de renda, devido principalmente à facilidade da mão-de-obra utilizada. Para o feitio dos blocos de dormentes, utiliza-se a maragona-ferramenta do tipo de um machado. Posteriormente, estes eram traçados no bloco e desdobrados com traçaderas, as quais eram muito utilizadas na época. Esses dormentes foram essenciais na construção da Estrada de Ferro, a qual deu grande impulso no desenvolvimento do município. Em 1943, quando passaram os trilhos da linha férrea, a população aumentou.
Os trilhos da estrada de ferro eram pertencentes à linha São Paulo – Rio Grande do Sul. Quando em construção houve inúmeros problemas de estabilidade de tabules no trecho que liga Engenheiro Gutierrez a Inácio Martins, principalmente na transposição da Serra da Esperança, resultando atraso nas obras, ficando o trecho paralisado em Inácio Martins. Com a exploração do traçado da ferrovia pelas grandes companhias, surgiram os primeiros compradores de pinheiros. Sendo os principais: Edgard Gomes, Dallegrave Moreira, F.V. de Araújo, Osvaldo Viana, Frederico Kochan. Com a estrada de ferro, iniciou-se a exploração de madeira em larga escala, sendo que dois anos após a conclusão da ferrovia, o município contava com mais de quarenta (40) serrarias, com exploração básica de cedro, pinheiro e imbuía. Com a chegada da estrada de ferro, Inácio Martins tornou-se um grande fornecedor de lenha para a manutenção de máquinas, pois transitavam na época as conhecidas “Maria Fumaça”. O município era ponto de abastecimento de lenha e água, e até os dias atuais existe a caixa d’água com capacidade para oito mil litros de água, construída de concreto, próximo á linha, numa altura de aproximadamente dez metros. Por muito tempo Inácio Martins foi ponto estratégico de comercialização entre outros municípios. Houve uma paralisação da estrada de ferro e Inácio tornou-se ponto de embarque e desembarque de gado e porcos, vindos principalmente das cidades de Laranjeiras do Sul, Pitanga e Guarapuava e desembarque das tropas do exército para outras regiões.
Durante a construção da atual Capital Federal (Brasília), saiu de Inácio Martins grande quantidade de madeira, principalmente pontaletes de pinheiro e imbuía, destacando-se como fornecedores destes materiais: Edgard Gomes, Slavieiro S.A., Zattar e Dellegrave Moreira. Com a desativação dos trens de passageiros, a linha férrea atualmente é utilizada apenas para o transporte de madeira de pinus, dormentes de imbuía e combustíveis. A estrada de ferro teve importância fundamental no desenvolvimento do município, pois as primeiras casas foram construídas nas proximidades da atual estação ferroviária, onde surgiram os primeiros loteamentos, efetuados por Rozendo da Costa Cristo, em uma área de aproximadamente 10 alqueires. 
Os lotes de Rozendo da Costa Cristo tinham medida padrão de 12 X 40 metros. Posteriormente com a expansão do quadro urbano, houve um segundo loteamento, efetuado por Dellegrave Moreira, com medidas que variam de 20 X 50m. a 25 X 50 metros. Assim, a sede do Distrito foi transferida para onde é atualmente a cidade de Inácio Martins, que na época era conhecida como 66 (Sessenta e Seis), devido a medição da estrada de ferro. Como os terrenos que formam o atual quadro urbano eram imóveis rurais, obtidos através de medição judicial, a maioria das divisas não são compatíveis com o atual traçado das ruas criando por isso problemas de elaboração de loteamentos, tais como: a linha férrea, os declives, terrenos pedregosos, que prejudicam o planejamento adequado da cidade. Com os loteamentos vieram as primeiras residências, as quais pertenciam aos Senhores: Pedro Veiga, Antonio Jacinto, Rozendo da Costa Cristo, Otávio de Cristo, João Matoso, Família Maliska, Cornélio Kloster, Farmácia Carlos King, surgindo também os primeiros comerciantes: Cornélio kloster, Viúva Maliska, Esperidião Hauage e José Chame, este último com estabelecimento comercial, no local onde mais tarde foi construído o Hospital Municipal e que atualmente funciona como creche (Provopar – LBA) Surgiu também a primeira Igreja, feita de madeira serrada manualmente, com dimensão de 8 X 10 metros, construída por Emílio Terra.


O primeiro delegado foi Raul de Campos, seguido por João Inácio Iurka. A primeira escola, no local onde era a farmácia Nossa Senhora Aparecida, foi construída pelos mesmos que construíram a Igreja, sendo as primeiras professoras as Senhoras: Áurea Assad, Maria de Jesus Turra, Olivia Machado, Nanai Pinheiro. A escola funcionava numa feita de madeira lascada e coberta de tabuinhas. Conta-se que quando chovia, os alunos depositavam o material sob as mesas para não molhar. 

Texto retirado da Monografia de Diomedes Taborda.
Imagens Kleber Fernandes e disponível na internet
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