Parâmetro do perímetro cefálio para meninos e meninas será
diferente. Bebês prematuros também terão definição específica
O Ministério da Saúde
passa a adotar, a partir desta quarta-feira (9), novos parâmetros para medir o
perímetro cefálico e identificar casos suspeitos de bebês com microcefalia.
Para menino, a medida será igual ou inferior a 31,9 centímetros e, para menina,
igual ou inferior a 31,5 centímetros.
A mudança está de
acordo com recomendação anunciada recentemente pela Organização Mundial de
Saúde (OMS). O objetivo da alteração é padronizar as referências para todos os
países, valendo para bebês nascidos com 37 ou mais semanas de gestação. “Mais
uma vez, mostramos que o Brasil está em consonância com as recomendações da
Organização Mundial de Saúde e com as conclusões das sociedades médicas e
científicas de todo o mundo. Estamos caminhando juntos e no caminho certo para
descobrir e definir de forma cada vez mais específica todas as orientações em
torno da microcefalia e do vírus zika”, afirmou o ministro da Saúde, Marcelo
Castro.
O novo padrão está
sendo adotado pelo Ministério da Saúde em consonância com as secretarias
Estaduais e municipais de Saúde e recebeu avaliação favorável do comitê técnico
formado por sociedades científicas médicas e especialistas nas áreas de
pediatria, infectologia e genética médica. A aferição do perímetro deve ser
feita, preferencialmente, após as primeiras 24 horas do nascimento ou até a
primeira semana de nascimento. A medida faz parte das adequações que estão
sendo realizadas diante dos novos achados científicos, levando em consideração
o aprendizado contínuo com descobertas sobre a microcefalia e sua relação com o
zika vírus.
Prematuros
Para bebês nascidos com
menos de 37 semanas de gestação (prematuros), a mudança ocorrerá na curva de
referência para definição de caso suspeito de microcefalia. Até então, era
utilizada a curva de Fenton. A partir de agora, será utilizada a tabela de
InterGrowth, que tem como referência a idade gestacional do bebê. Trata-se de
recente estudo internacional do crescimento fetal e do recém-nascido,
encomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2010, para oito países,
entre eles o Brasil, pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e finalizado
em 2015.
A utilização da curva
de InterGrowth também é recomendação da OMS. Vale esclarecer que o perímetro
cefálico (PC) varia conforme a idade gestacional do bebê, no nascimento e
continua sendo acompanhado ao longo de toda a infância.
A medição do perímetro
cefálico deve sempre ser realizada logo após o parto, permitindo que o médico
identifique possíveis problemas de forma precoce. No entanto, a confirmação do
diagnóstico de microcefalia e da sua associação a outras infecções só pode ser
feita após a realização de exames complementares, como ultrassonografia
transfontanela e tomografia, já que a medida do crânio não é um fator
determinante, ou seja, bebês com o tamanho da cabeça um pouco abaixo da medida
de referência não necessariamente terão malformações.
Devido às atuais
mudanças, o Ministério da Saúde revisou todas as definições previstas no
Protocolo de Vigilância e Resposta à Ocorrência de Microcefalia Relacionada à
Infecção pelo zika vírus.
De acordo com o
secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Antonio Carlos Nardi,
o Ministério da Saúde tem realizado videoconferências e reuniões presenciais
para que as informações sejam totalmente padronizadas. “Isso irá garantir, além
da confirmação ou descarte de cada caso, o suporte às crianças e às famílias
acometidas pela microcefalia”, destacou o secretário de Vigilância em Saúde do
Ministério da Saúde, Antonio Nardi.
Diante do aumento
inesperado e inusitado dos casos de microcefalia em recém-nascidos, verificado
em outubro de 2015, no Brasil, o Ministério da Saúde recomendou, no primeiro
momento, que fosse adotada a medida de 33 centímetros para o perímetro
cefálico.
A iniciativa teve como
objetivo incluir um número maior de bebês na investigação, para uma melhor
avaliação e compreensão da situação. Em dezembro de 2015, após o andamento das
primeiras investigações destes casos, o padrão foi reduzido para 32
centímetros.
Mudanças
Desde o dia 18 de
fevereiro, a notificação dos casos suspeitos de zika no Brasil passou a ser
obrigatória para todos os Estados. A medida foi publicada no Diário
Oficial da União por
meio da Portaria 204, de 17 de fevereiro de 2016. A mudança significa que todos
os casos suspeitos de zika devem ser comunicados pelos médicos, profissionais
de saúde ou responsáveis pelos estabelecimentos de saúde, públicos ou privados,
às autoridades de saúde, semanalmente. Nos casos de gestantes com suspeita de
infecção pelo vírus ou de óbito suspeito, a notificação deve ser imediata, ou
seja, deverá ser feita em até 24 horas.
A mudança na
notificação também foi resultado de uma análise criteriosa dos métodos de
acompanhamento do zika vírus no Brasil. Até então, a doença era monitorada por
meio de vigilância sentinela para prestar apoio às medidas de prevenção à
doença.
Cabe ressaltar que o
zika é uma doença nova no Brasil, tendo sido identificada pela primeira vez em
maio de 2015 e, como qualquer outra nova doença identificada, necessita de
estudos e reavaliações periódicas.
Informações e imagem Portal Brasil
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