Os
senadores decidiram nesta terça-feira (10) cassar o mandato de senador de
Delcídio do Amaral, que estava sem partido e representava Mato Grosso do Sul.
Foram 74 votos favoráveis, nenhum contrário e uma abstenção — do senador João
Alberto Souza (PMDB-MA). Com o afastamento, o primeiro suplente de Delcídio,
Pedro Chaves dos Santos Filho, será chamado a tomar posse.
Durante
a sessão, o presidente do Senado, Renan Calheiros, chamou várias vezes Delcídio
defender-se. Ele não compareceu, nem enviou advogado.
Ao decidir pelo afastamento, o Senado acatou o PRS 29/2016, aprovado no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar no começo de maio. O relator do processo contra o ex-senador, Telmário Mota (PDT-RR), frisou ser pacífico ter havido abuso das prerrogativas constitucionais por parte do ex-parlamentar, quando Delcídio do Amaral tentou tumultuar os trabalhos da Operação Lava Jato da Polícia Federal.
Ao decidir pelo afastamento, o Senado acatou o PRS 29/2016, aprovado no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar no começo de maio. O relator do processo contra o ex-senador, Telmário Mota (PDT-RR), frisou ser pacífico ter havido abuso das prerrogativas constitucionais por parte do ex-parlamentar, quando Delcídio do Amaral tentou tumultuar os trabalhos da Operação Lava Jato da Polícia Federal.
A
denúncia foi de que Delcídio, então líder do governo no Senado, negociou a fuga
do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, para evitar
uma possível colaboração premiada do ex-funcionário da estatal. A combinação
foi feita com o filho de Nestor, Bernardo Cerveró, que gravou as conversas e as
encaminhou às autoridades.
Preso
preventivamente em novembro de 2015 por obstrução da Justiça, ele foi o
primeiro senador preso no exercício do mandato sob regime democrático. Delcídio
foi solto em fevereiro deste ano, após uma delação premiada. Desfiliou-se do PT
e acusou dezenas de políticos, funcionários públicos, lobistas e empresários.
O
relator no âmbito do Conselho de Ética, Telmário Mota garantiu ao Plenário que
a Delcídio foi dado o amplo direito de defesa, mas o ex-senador optou por não
apresentar sua versão. O representante de Roraima explicou também que o
julgamento no Conselho de Ética correu em paralelo com a esfera penal, mas são
processos distintos.
— Aqui, no Senado,
importa, mais que tudo, o prejuízo causado à dignidade do Poder Legislativo
pelo comportamento indevido de um membro desta Casa, notoriamente incompatível
com a ética e o decoro esperados de um senador da República — declarou
Telmário.
Defesa
Como
nem Delcídio nem seus advogados compareceram ao Senado para se defender,
o presidente do Senado, Renan Calheiros, após convocar sua defesa por
várias vezes, designou como defensor dativo o diretor da Consultoria
Legislativa do Senado Danilo Aguiar.
Ele
leu os argumentos da defesa, que havia enumerado diversas críticas ao processo
e apontou supostas falhas de procedimentos. Entre as supostas irregularidades
elencadas pelo defensor dativo, está a negativa de convocação de testemunhas de
defesa, a continuidade do processo mesmo estando Delcídio de licença médica e a
suspeição do relator no Conselho de Ética.
Desculpas
Se
não compareceu à sessão nem ao Conselho de Ética, Delcídio do Amaral, foi à
reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), que julgava os
aspectos constitucional, legal e jurídico do projeto de resolução que
recomendava a cassação. Na CCJ, Delcídio reconheceu que cometeu um erro ao
conversar com o filho de Nestor Cerveró. Disse que agiu “a mando” e pediu
desculpas à sociedade.
— Admito meu erro e
peço perdão por isso. Eu não roubei, não desviei dinheiro, não tenho conta no
exterior, estou sendo acusado de obstrução de justiça. Peço desculpas, errei,
mas agi a mando. Assumo a responsabilidade dos meus erros — disse Delcídio.
Constrangimento
O
processo contra Delcídio do Amaral foi pedido pela Rede da Sustentabilidade e o
Partido Popular Socialista (PPS). A representação chegou ao Senado em primeiro
de dezembro do ano passado, uma semana após o ex-senador ter sido preso por ordem
do ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki.
O
senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse que a conduta de Delcídio do Amaral
constrangeu o Senado e feriu a Constituição. Para o parlamentar, o ex-senador
não se reuniu com Bernardo Cerveró como um cidadão comum, mas ofereceu
vantagens da condição de senador.
— Este não é um
momento confortável para nenhum de nós, mas me parece inconteste que a
dignidade do Senado da República foi afrontada e atingida pelo comportamento de
Delcídio do Amaral, concluiu Randolfe.
Senadores
Poucos
senadores se pronunciaram na sessão em que foi cassado o mandato de Delcídio do
Amaral. Roberto Rocha (PSB-MA) foi um deles. Admitiu ser uma tarefa ingrata e
avaliou que a afirmação do ex-senador de ter agido a mando não diminui a
responsabilidade do ato.
— Faltou-lhe
justamente aquilo que caracteriza o decoro, ou seja, a decência, a dignidade, a
honestidade — afirmou Rocha.
O
relator do processo na CCJ, senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), garantiu que foi
dado ao senador cassado o amplo direito de defesa e ao contraditório.
Já
o senador José Medeiros (PSD-MT) ressaltou que apesar de algumas vezes tardar,
a justiça não falha.
— Porque se houve um
crime aqui, foi crime de mando no exercício da liderança do governo. Ao fazer o
seu trabalho, foi demonizado — disse José Medeiros, observando que Delcídio
passou a ser atacado após fazer a delação premiada.
Já o senador Donizeti
Nogueira (PT-TO) disse que quem ouviu as gravações da conversa entre Delcídio e
Bernardo Cerveró percebeu que a grande preocupação do ex-parlamentar era com a
questão da compra de sondas para Petrobras no período anterior ao governo Lula.
— É imprudência, do
meu ponto de vista, vir aqui e reforçar essa tese de que o processado agiu por
mando e citar o nome da presidente Dilma. Eu acho isso de uma
irresponsabilidade muito grande — afirmou.
Informação e imagem Agência
Senado
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