A
implantação de áreas de escape, maior controle de velocidade e limitação de
tráfego de caminhões que transportam produtos perigosos estão entre as medidas
para evitar acidentes como o que aconteceu na BR-277, no início de julho, em
que cinco pessoas morreram e 12 ficaram feridas. Estas e outras propostas foram
discutidas nesta quinta-feira (28) na reunião da Comissão Estadual de
Prevenção, Preparação e Resposta Rápida a Emergências contra Produtos Perigosos
(R2P2), promovida pela Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil, na
sede do Serviço Social do Transporte (Sest/Senat), em Curitiba.
De
acordo com a Defesa Civil, entre 2004 e 2016, houve 821 acidentes com cargas de
produtos perigosos nas rodovias do Paraná, que afetaram quase 330 mil pessoas
em 161 municípios – além dos feridos e das vítimas fatais, esses produtos podem
contaminar áreas de mananciais e comprometer o abastecimento de água. A maioria
das ocorrências foi na BR-277, que registrou 118 acidentes no período, dos
quais 28 foram entre os quilômetros 24 e 40 da rodovia, no final da Serra do
Mar, onde aconteceu o grave acidente do início do mês.
O
coordenador executivo da Defesa Civil, tenente-coronel Edemilson de Barros,
explicou que a proposta da comissão R2P2, criada em 2013, é prevenir que
acidentes desse tipo ocorram no Estado. “A comissão está constantemente
discutindo ações que possam melhorar a resposta e, principalmente, a prevenção
desses acidentes. Queremos buscar soluções para minimizar situações como aquela
que envolveu o caminhão carregado com etanol”, disse.
Controle de velocidade
Para
o inspetor Lúcio Flávio Marins, da Polícia Rodoviária Federal, a medida mais
eficaz para diminuir o número de acidentes nas rodovias seria um melhor
controle da velocidade, já que, de acordo com ele, 90% dos veículos que se
envolvem em acidentes estão em alta velocidade. Ele sugere que sejam adotados
radares que calculam a média de velocidade dos veículos, diferentes dos
utilizados hoje, que só captam a velocidade no local onde o radar está
instalado.
“Para
a implantação desses radares seria preciso mudar a atual legislação. Esperamos
que, com a força dessa comissão, possamos alterar a lei para que se use o
controle de velocidade por média, o que deve diminuir bastante o número de
acidentes”, afirmou o inspetor. Marins explicou que no acidente da BR-277 o
motorista estava acima da velocidade permitida para caminhões que carregam
produtos perigosos.
Também
foi discutida a implantação, pelas concessionárias das rodovias, de áreas de
escape para a contenção dos veículos que perdem o controle. A Ecovia afirmou
que deve investir R$ 3,6 milhões para a construção de uma área de escape na
BR-277, próximo ao trecho onde aconteceu o acidente.
Outra
medida para prevenir esses acidentes é limitar o tráfego dos caminhões que
transportam produtos perigosos, que não rodariam nos fins de semana e feriados,
quando há um maior número de veículos de passeio nas rodovias. Também foram
sugeridos o controle dos veículos por satélites para evitar que andem acima da
velocidade, treinamentos para os motoristas que transportam produtos perigosos
ou inflamáveis, maior fiscalização, obras de engenharia viária e a utilização
de outros modais para o deslocamento desses produtos, o que inclui a construção
de dutos até o Porto de Paranaguá.
Comissão
Além da Defesa Civil, a comissão R2P2 é
formada pelo Corpo de Bombeiros, Batalhão de Polícia Rodoviária, Secretaria de
Estado da Saúde, Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Sanepar, Departamento de
Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), Agência Reguladora do Paraná (Agepar),
Polícia Rodoviária Federal, Agência Nacional de Transportes Aquaviários
(Antaq), Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), Conselho Regional
de Química e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Hídricos
(Ibama). Na reunião desta quinta-feira, também participaram representantes das
concessionárias Ecovia, Ecocataratas e Autopista Régis Bittencourt. AEN
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