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| A regra que acabava com as restrições de trabalho aos domingo gerou polêmica e, após acordo anunciado pelo senador Otto Alencar (terno cinza escuro), foi retirada do texto por Davi Alcolumbre, por não ter relação com o tema inicial da MP Imagem: Reprodução Agência Senado
O projeto decorrente da medida (PLV 21/2019) ainda terá que passar pela sanção presidencial
O Senado
aprovou nesta quarta-feira (21) a Medida Provisória 881/2019, conhecida como MP da
Liberdade Econômica. O texto traz medidas de desburocratização e simplificação
de processos para empresas e empreendedores. Durante a análise no Congresso,
foram incorporadas alterações em regras trabalhistas, o que gerou críticas de
parlamentares. A aprovação no Senado se deu após acordo para suprimir do texto
artigos que acabavam com a restrição ao trabalho nos domingos.
"Os
senadores e senadoras construíram entendimento para a votação desta medida
provisória tão importante para o Brasil. É uma medida provisória que destrava a
relação empresarial e que sem dúvida será uma mola propulsora do
desenvolvimento, do crescimento e especialmente da geração de emprego", comemorou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
De acordo
com a MP, se observadas normas de proteção ao meio ambiente, condominiais, de
vizinhança e leis trabalhistas, qualquer atividade econômica poderá ser
exercida em qualquer horário ou dia da semana. Mudanças feitas pelo Congresso
garantem esse funcionamento inclusive em feriados, sem cobranças ou encargos
adicionais.
O texto
inicial também dispensou de licença prévia do poder público as atividades de
baixo risco para sustento próprio ou da família. Os parlamentares foram além e
estenderam a regra a todos os empreendimentos de baixo risco. Caso a
classificação das atividades de baixo risco não seja prevista em lei estadual,
distrital ou municipal específica, esse ato caberá ao Executivo.
"As
regras aqui dispostas, na verdade, dão início à alforria para os
empreendedores, de modo a garantir ampla geração de emprego e melhor
distribuição de renda em nosso país", disse a senadora Soraya Thronicke
(PSL-MS), relatora revisora da medida.
Pontos
polêmicos
Vários
trechos que haviam sido incluídos pelo relator da comissão mista que analisou a
medida, deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), tiveram que ser
retirados na Câmara. A preocupação era de que as mudanças contrariassem a
proibição do Supremo Tribunal Federal (STF) de inclusão de temas estranhos em
medidas provisórias, conhecidos como "jabutis".
Com isso,
o texto, que tinha sido enviado pelo Executivo com 19 artigos e saído da
comissão com 53, foi aprovado pela Câmara com 20 artigos. Entre as alterações
retiradas na Câmara estão a isenção de multas por descumprimento da tabela de
frete e mudanças nas regras de farmácias, por exemplo. Ainda assim, outros pontos
incluídos na comissão foram mantidos pela Câmara.
Um deles
foi o fim das restrições de trabalho aos domingos e feriados previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Pelo
texto aprovado na Câmara, o empregador só seria obrigado a conceder folga aos
domingos a cada quatro semanas e não precisaria pagar o domingo ou feriado
trabalhado em dobro, se determinasse outro dia para folga compensatória.
"É um
jabuti. Eu quero saber o que isso tem a ver com liberdade econômica e com
empreendedorismo, quando, na verdade, se está retirando mais um dos poucos
direitos que restam ao trabalhador", criticou Humberto Costa (PT-PE).
A regra
gerou polêmica e, após um acordo anunciado pelo senador Otto Alencar (PSD-BA),
foi retirada do texto por Davi Alcolumbre, por não ter relação com o tema
inicial da MP. A decisão foi elogiada por José Serra (PSDB-SP), que disse
considerar “temerário” forçar o trabalho aos domingos, dia que os trabalhadores
têm para a convivência com a família.
Renan
Calheiros (MDB-AL) e Fabiano Contarato (Rede-ES) também criticaram a inclusão
de matérias estranhas à medida. Contarato chamou as mudanças de “contrabando
legislativo”. Ele foi o autor da questão de ordem para que o trabalho aos
domingos fosse retirado do texto pela Presidência da Casa.
Tempo
O tempo
escasso para que os senadores discutissem a medida foi alvo de críticas de
Paulo Paim (PT-RS), Alvaro Dias (Pode-PR) e Roberto Rocha (PSDB-MA). Na
prática, o Senado ficou impedido de fazer mudanças por meio de emendas ao texto
porque não haveria tempo para que a MP voltasse à Câmara. Para Paim, o Senado
está atuando como mero carimbador das decisões outra Casa. Ainda assim, Alvaro
Dias se disse favorável à aprovação pelo mérito da medida.
"Esta
proposta é um avanço, sem dúvida. Poderia ser muito melhor, mas nós não temos
condições de rejeitá-la", argumentou.
O líder o
governo, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), disse que o texto estava
sendo mal interpretado por muitos parlamentares e que os pontos estranhos ao
tema inicial já haviam sido retirados na Câmara.
"Agora
nós temos um texto que é de fato apropriado, pertinente para essa necessidade
que o país tem de menos burocracia, de menos legislação, para que a gente possa
fazer com que o país se reencontre com a sua trajetória de crescimento, de
desenvolvimento, mas sobretudo, de geração de emprego".
Carteira
digital
Outras
mudanças que têm relação com os trabalhadores foram aprovadas pelo Senado. Uma
delas é a criação da carteira de trabalho digital, com os registros feitos no
sistema informatizado do documento. Bastará ao trabalhador informar o CPF para
o empregador realizar os registros devidos, aos quais o empregado deverá ter
acesso em 48 horas.
O texto
acaba ainda com a exigência de afixação, em local visível, do quadro de
horários dos trabalhadores. O registro de entrada e saída, por sua vez, será
exigido somente de empresa com mais de 20 funcionários. Atualmente, vale para
as empresas com mais de dez empregados.
Também
foi aprovada a autorização expressa para o registro de ponto por exceção à
jornada regular de trabalho, que não estava no texto original do Executivo.
Nesse regime, horário de chegada e saída do funcionário só é registrado se há
horas extras, atrasos, faltas e licenças. Previsto em portarias do extinto
Ministério do Trabalho, o registro por exceção era considerado irregular pelo
Tribunal Superior do Trabalho (TST). A adoção desse sistema será permitida por
acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho.
O texto
aprovado também altera o Sistema de Escrituração Digital de Obrigações Fiscais,
Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial), sistema digital que obrigou os
empregadores (empresa ou pessoa física) a prestar todas as informações
referentes a seus funcionários. O sistema havia sido extinto pela comissão
mista, mas o texto aprovado pela Câmara e pelo Senado prevê a substituição por
um sistema simplificado.
Simplificação
Todas as
pessoas e empresas terão o direito de arquivar documentos por meio de
microfilme ou por meio digital, conforme regras que devem ser estabelecidas em
regulamento. Esses documentos terão o mesmo valor que os documentos físicos
para todos os efeitos legais e para a comprovação de qualquer ato de direito
público.
A MP
881/19 incorpora trechos do projeto de lei de conversão da Medida Provisória 876/2019, que perdeu a
vigência, e simplifica procedimentos de registro de empresas em juntas
comerciais. Uma das novidades é o registro automático de atos constitutivos, de
suas alterações e extinções independentemente de autorização governamental. A
autenticação poderá ser feita em cartório ou pelo servidor da junta por meio de
comparação com o documento original e pode ser dispensada quando o advogado ou
o contador da parte interessada declarar a autenticidade da cópia.
Em
relação aos prazos para obtenção de licenças, alvarás e quaisquer outras
liberações pelo poder público, a medida determina que seja informado um
prazo para análise do pedido. Se depois de passado o prazo não houver
manifestação, o pedido será considerado atendido. Isso se aplica somente aos órgãos
federais, exceto se houver delegação para estados e municípios ou se o ente
federativo decidir seguir a regra.
Também na
esfera federal há exceções: matéria tributária, registro de patentes, se
envolver em compromisso financeiro da administração pública ou se houver
objeção expressa em tratado internacional. Estão de fora, ainda, os prazos para
licença ambiental.
Apesar
dessa exceção para as licenças ambientais prevista no texto, senadores como
Eliziane Gama (PPS-MA) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmaram que a MP coloca
em risco o meio ambiente. Randolfe informou que seu partido apresentará um
projeto para corrigir esse erro.
Texto: Reprodução Agência Senado
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Tags:
política
