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DIREITO EM PAUTA: E, aí, são os servidores públicos verdadeiros parasitas?


 Jhiohasson W. R. Taborda, é advogado desde o ano de 2011, com inscrição na OAB/PR nº 57.820 e OAB/SC 40.411, graduado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, pós graduado em Direito do Trabalho pela mesma Universidade. Pós Graduado em Direito empresarial pela Universidade Anhanguera. Atualmente também trabalha na Prefeitura Municipal de Inácio Martins. 


Por: Jhiohasson Taborda

Caros leitores, iniciamos nossa coluna que terá publicação quinzenal, sobre os mais diversos temas que tratarem de democracia, direito e justiça.

O tema dessa semana será a polêmica frase do Ilustre Ministro da Economia, Paulo Guedes, em que comparou os servidores públicos a “parasitas” que eles estariam estão matando o “hospedeiro”.

Não é difícil escutarmos por aí, várias repetições de que o servidor público é o grande responsável pelo engessamento da máquina pública e também de forma corriqueira que os servidores são muito melhor remunerados que os da iniciativa privada.

Estudo publicado pelo Banco Mundial apontou que os servidores públicos federais brasileiros, recebem em média 96% a mais que da iniciativa privada.[1] Enquanto que nos Estados este número orbita em 36%.

Mas é onde se encontra a maioria dos servidores públicos que precisamos estender uma Lupa. Os servidores municipais, que são a maioria, representam em torno de 60% do funcionalismo, são os funcionários que ganham menos, em média, um terço do rendimento dos federais. Os dados estão no Atlas do Estado Brasileiro 2019, do Ipea, que analisou a evolução do setor ao longo das últimas três décadas, entre 1986 e 2017. Os rendimentos deste grupo são os que mais se aproximam da média registrada na iniciativa privada. Ao longo das três décadas analisadas pelo Ipea, a média salarial dos funcionários públicos de municípios passou de R$ 2 mil, em 1986, para R$ 2,8 mil em 2017. Nesse período, a média salarial dos trabalhadores da iniciativa privada foi de R$ 2,5 mil para R$ 2,4 mil.[2]

Quando se fala em vantagens e penduricalhos, verbas de natureza indenizatória que não se incorporam ao salário, vamos ver alguns exemplos, para melhor ilustrar a situação, de categorias da iniciativa privada, que possuem equivalentes no setor público.

Aos professores da iniciativa privada do Paraná, são assegurados quinquênio, possibilidade de participação nos lucros, auxilio educação, auxilio creche entre outros.[3]
Já para os auxiliares administrativos em empresas enquadradas no terceiro grupo, comércio e empregados em empresas prestadoras de serviços do estado do Paraná, é assegurado piso salarial, reajuste – o último na ordem de 5% - adicional por tempo de serviço, auxílio alimentação/refeição, reembolso de despesas de aprimoramento profissional, estabilidade pré-aposentadoria.

Poderíamos enumerar diversas categorias e seus benefícios. Mas não é isso que se propõe.

Cada categoria, em maior ou menor grau, com a sua capacidade de organização, busca suas melhores condições de trabalho e remuneração e não é diferente com os servidores públicos. Aliás, este sempre foi o grande motivo das revoltas da mão de obra, assegurar melhores condições de trabalho.

Não se desconhece que atual modelo adotado pelo setor público, qual seja de oferecer geralmente altos salários iniciais para atrair candidatos qualificados, mas possui pouco espaço para recompensar os funcionários com melhor desempenho ou atrair profissionais qualificados do setor privado, pode estar com os dias contados.

Precisamos pensar que existe uma grande lacuna e oportunidade de propor estrutura salarial que combinasse salários iniciais com maior flexibilidade para pagar mais com base no desempenho e na experiência, que possivelmente permitiria ao setor público manter os funcionários com melhor desempenho e atrair profissionais no meio da carreira.

A reflexão que se propõe é que na atual conjuntura, há parasitas e hospedeiros, seja na iniciativa privada ou pública, caberá a nós analisarmos por qual ângulo a questão será observada, e se ambos não vivem em uma perfeita simbiose.

O texto não reflete a opinião do portal, sendo de responsabilidade do autor


[1] O prêmio salarial compara indivíduos do setor público e privado com mesma escolaridade, gênero, cor de pele, idade e setor de atividade econômica. Disponível em <http://documents.worldbank.org/curated/en/846691570645552393/pdf/Sum%C3%A1rio-Executivo.pdf> acesso em 18.02.20.
[2] Fonte: Gazeta do Povo.
[3] Convenção Coletiva de Trabalho 2019. Disponível em <http://sinpropar.org.br/wp-content/uploads/2019/07/CCT-2019-2021-DRT.pdf> Acesso em 18.02.2020.


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