Élcio Wszolek, é Professor da Rede Estadual de Educação. Atualmente, diretor do Colégio Estadual Parigot de Souza. Graduado em Licenciatura em História pela Unicentro e Licenciatura em Filosofia pela UNIMES. Especialista em Educação Especial Inclusiva, pelo Instituto Superior Tupy. Especialista em História do Brasil, pelas Faculdades Integradas de Jacarepaguá. Especialista em Arte e Educação, pelas Faculdades Integradas do Vale do Ivaí. Aluno matriculado no curso de Especialização em Filosofia Clinica, pelo Instituto Packter.
Por: Professor Élcio Wszolek
Em síntese, alteridade significa a capacidade de mergulhar no mundo do próximo, compreendendo-o não com base em nossas verdades, vontades e preconceitos. Mas a partir daquilo que o próximo realmente é. Exercício árduo! Afinal, "o endereço mais difícil do mundo é o lugar do outro".
Nesta coluna, destinada a temas vinculados à educação escolar, procurarei compartilhar minhas perspectivas, anseios, e também angústias em relação à este vasto "universo" que tanto me fascina.
Inicio minha participação no Portal Na Hora Notícias, buscando explicitar a proximidade existente entre educação e alteridade. Honestamente, considero não fazer sentido arquitetarmos grandiosos projetos e estratégias educacionais, se não tivermos como ponto de partida a capacidade de conhecermos nossos alunos. Cada um deles em sua individualidade.
Não faz sentido transformarmos ambientes educacionais em locais simetricamente organizados, com funcionamento racionalizado, se não tivermos a condição de ir ao mundo de nossos professores e funcionários. Entendendo que naquela "engrenagem" de fundamental importância para o funcionamento da "máquina" escola, existe um eu. Único. Repleto de histórias, verdades, sentimentos. Diferente de todos, inclusive de mim.
É de profunda incoerência convidarmos os responsáveis por nossos alunos à virem até a escola, se não tivermos o interesse em ouvi-los sem que prevaleça nossas vontades. Precisamos ir ao outro despidos de nós mesmos.
Considero ser este o ponto de partida. A construção de uma grande rede de diálogo e de compreensão mútua.
O grande problema é que a própria educação escolar contribuiu historicamente para a construção de humanos individualistas, senhores de verdade - humanos desumanizados. A partir do momento em que a escola afirmou a existência de verdades absolutas, acabou por estabelecer que todos aqueles que pensassem ou fossem diferentes deveriam ser silenciados. Deu aos educadores o status de donos da verdade, como se a verdade existisse de forma absoluta.
O tempo passou, e às duras custas, a história provou que era hora de trocar o termo verdade por perspectivas. Era hora de substituir dicotomia por pluralidade. Era hora de debater menos e compartilhar mais.
No entanto, trouxemos fragmentos do passado em forma de herança. E agora, cabe à educação escolar contemporânea - talvez como remissão aos seus pecados - o desafio de formar humanos com a capacidade de cada dia serem melhores. Humanos capazes de realmente sentir a dor do outro e vibrar com o sucesso do outro. Humanos capazes de promover a alteridade.
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