Por: Hanna Hellena Lucavei Gechele
Setembro Amarelo é uma campanha mundial que preza a importância de falar sobre o suicídio, e alertar a população sobre essa realidade e suas formas de prevenção. No caso da Psicologia, atuar com a mente humana é lidar diariamente com diversos problemas e dificuldades do sujeito, e em algumas situações, essas dificuldades se não elaboradas, infelizmente podem acabar com vidas.
Falar sobre o suicídio é particularmente delicado, semelhante a
outras situações de vulnerabilidade e sofrimento psicológico, onde geralmente é
preferido o silêncio, procurando esconder uma realidade de dor profunda,
misturada com a vergonha, estigma e indiferença.
De acordo com o Conselho
Federal de Psicologia, a atuação de profissionais da Psicologia na prevenção ao
suicídio, deve extrapolar as intervenções estritamente individuais e buscar a
compreensão das condições de vida que podem contribuir para produzir sofrimentos
mentais intensos. O papel da Psicologia é acolher e ressignificar esses
sofrimentos, a partir do entendimento de como são produzidos nas instâncias
sociais, históricas e culturais do sujeito.
O suicídio encontra-se entre as 10 primeiras causas de morte, e cerca
de 20% das pessoas que tentam o suicídio e não procuram ajuda, tornam a fazê-lo.
Cada pessoa que pensa em tal ação tem seus motivos pessoais, muito
particulares, profundos e extremamente dolorosos, que levam a ponderar se vale
apena continuar vivendo. O suicídio traduz o desejo de alguém que procura
escapar ou terminar com seu sofrimento.
É importante salientar que o diagnóstico de depressão,
bipolaridade, esquizofrenia, e demais perturbações de humor, podem contribuir
para uma desorganização e desconforto emocional, podendo aumentar o risco para
tais atitudes. O suicídio raramente é uma decisão repentina, portanto
normalmente as pessoas dão sinais de alerta, sendo alguns:
– Falar sobre a morte em demasia, sobre não encontrar razões para viver;
– Mudanças de comportamento;
– Afastamento social,
dificuldade de relacionamentos;
– Aumento do consumo de
álcool, drogas, medicamentos;
– Insônia persistente;
– Apatia, tristeza profunda;
– Automutilação.
Se você percebe que algum familiar, amigo ou pessoa próxima
apresenta algum destes sintomas, você pode e deve ajudar, mas de acordo com as
suas limitações: seja um bom ouvinte, não julgue, acolha o sofrimento da
pessoa, demonstre empatia, não mude de assunto, não deixe a pessoa sozinha, e principalmente
encaminhe para ajuda especializada.
A prevenção do
suicídio é de extrema importância em todo mundo, já que os números de novos
casos seguem aumentando. E o Setembro Amarelo é uma
oportunidade de falar e discutir sobre o tema sem tabus e julgamentos, visando
humanizar o sofrimento das pessoas para que suas dificuldades e inquietações possam
ser elaboradas e tratadas de maneira correta, salvando vidas. Procure um
profissional que possa te ouvir e te auxiliar.
Atualmente, existem vários serviços de prevenção. Além dos profissionais especializados, um canal de acolhimento e escuta é o CVV (Centro de Valorização da Vida), através do número de telefone 188. Coloco-me também a disposição para atendimento.
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