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Cultivo de uvas começa a ganhar espaço e aponta potencial para fruticultura em Inácio Martins

 

Viticultura começa a ganhar espaço em Inácio Martins e abre novas possibilidades para a fruticultura local
Imagem: Kleber Fernandes

Experiências ainda em pequena escala indicam que altitude, clima e características do solo da região podem favorecer o desenvolvimento da viticultura

O cultivo de uvas em Inácio Martins ainda é recente e ocorre em pequena escala, mas já começa a despertar interesse de produtores e especialistas que enxergam potencial para o desenvolvimento da viticultura na região. Localizada no Terceiro Planalto Paranaense e com altitude elevada, a região apresenta características naturais que podem favorecer esse tipo de cultura.

O tecnólogo em Agronegócio e produtor Rodrigo Perussolo explica que fatores como relevo, solo e clima formam um conjunto conhecido na viticultura como “terroir”, responsável por influenciar diretamente a qualidade da uva e, consequentemente, dos produtos derivados, como sucos e vinhos.

“Nossa região possui áreas com altitude superior a mil metros, o que é considerado muito positivo para a viticultura. O frio do inverno, por exemplo, favorece o ciclo da planta e a absorção de nutrientes, fatores importantes para o desenvolvimento da videira”, explica.


Agropecuárist acom formação superior em Agronegócio e Administração Rural, Rodrigo Perussolo
Imagem: Kleber Fernandes

 


Segundo ele, o inverno da região costuma registrar mais de 300 horas de temperaturas abaixo de 3 a 4 graus, condição que contribui para o período de dormência da planta e favorece o desenvolvimento do ciclo produtivo.

Apesar disso, a atividade também enfrenta desafios. As variações climáticas, como geadas intensas ou períodos de alta umidade, podem afetar o desenvolvimento da cultura.

“Na agricultura sempre existe a certeza do plantio, mas a colheita é sempre uma incógnita. O clima é um fator que pode influenciar bastante o resultado da produção”, observa.

Diferentes variedades

A viticultura reúne uma grande diversidade de cultivares, que podem ser destinadas tanto ao consumo in natura quanto à produção de vinhos, sucos e outros derivados.

Entre as uvas de mesa, algumas das variedades mais conhecidas são Niágara, Itália, Red Globe e cultivares mais recentes desenvolvidas pela pesquisa brasileira.

Já as chamadas uvas viníferas, destinadas à produção de vinhos finos e espumantes, incluem variedades como Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Pinot Noir e Shiraz.

A escolha da cultivar depende da adaptação ao clima e às condições do solo de cada região.

Vanderlei da Rosa, funcionário do IDR Paraná, que atuou em Inácio Martins, segundo Rodrigo, teve papel fundamental nessa trajetória
Imagem: Kleber Fernandes

Implantação exige planejamento

Rodrigo ressalta que a implantação de um vinhedo exige planejamento técnico e acompanhamento profissional, principalmente em relação ao preparo do solo, adubação, escolha das mudas e manejo da cultura.

Entre os pontos fundamentais estão a avaliação do solo por um engenheiro agrônomo, a disponibilidade de água e a adoção de sistemas de condução e poda adequados para cada variedade.

Também é importante que as mudas sejam adquiridas em viveiros certificados, preferencialmente de regiões com características climáticas semelhantes.

Produção ainda é pequena, mas aponta grande potencial para a viticultura regional
Imagem: Kleber Fernandes

Produção em fase inicial

A produtora Ana Carolina Perussolo aposta no cultivo de uvas
 como alternativa de fruticultura e desenvolvimento rural em Inácio Martins
Imagem: Kleber Fernandes

Entre os produtores que iniciaram a cultura no município está a jovem produtora Ana Carolina Perussolo, que desenvolve um vinhedo familiar em pequena escala.

Segundo ela, a ideia surgiu a partir de histórias da família e do interesse pela cultura da uva e pela produção de vinhos.

“Minha inspiração veio da minha trisavó, que tinha um pequeno parreiral para consumo próprio. Com o tempo, essa ideia foi se transformando em um sonho e comecei a enxergar potencial para desenvolver esse cultivo”, conta.

O início do projeto exigiu paciência e dedicação. Ana relata que o período inicial de crescimento das mudas foi marcado por expectativa e desafios.

“No começo parece que nada vai dar certo, porque a planta leva um tempo para se desenvolver. Quando apareceu o primeiro cacho de uva foi uma alegria muito grande”, lembra.

Ana Carolina Perussolo iniciou o cultivo de uvas em Inácio Martins, unindo tradição familiar e interesse pela viticultura
Imagem: Kleber Fernandes

Atualmente, ela cultiva sete variedades de uva, sendo quatro destinadas à produção de vinhos Chardonnay, Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, e três voltadas ao consumo de mesa, como Bordô, Niágara Branca e Niágara Rosada.

Parte da produção é comercializada diretamente para consumidores e também fornecida em pequena quantidade para o comércio local.

Viticultura exige técnica, paciência e atenção às condições climáticas
Imagem: Kleber Fernandes

Desafios e potencial turístico

Entre os principais desafios do cultivo na região estão as condições climáticas, especialmente a umidade e o regime de chuvas, fatores que exigem cuidados constantes no manejo da cultura.

Mesmo assim, a produtora acredita que a viticultura pode abrir novas possibilidades econômicas para o município, inclusive relacionadas ao turismo rural.

“A uva e o vinho têm um valor cultural e também turístico muito grande. Acredito que esse tipo de atividade pode agregar valor para a cidade e abrir caminhos para o desenvolvimento do turismo”, afirma.

Embora ainda esteja em fase inicial, a experiência de produtores locais indica que a fruticultura de clima mais frio, como a viticultura, pode representar uma alternativa produtiva para a diversificação agrícola em Inácio Martins e na região.

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