A
Emater, órgão da Secretaria de Estado da Agricultura, e a Prefeitura de
Apucarana promovem nesta quinta-feira (20) o 23° Encontro Regional da Mulher
Rural, que reúne mais de 500 agricultoras e trabalhadoras do campo de 13
municípios da região. O objetivo da iniciativa é promover o debate e troca de
informação entre as participantes, visando o empoderamento das mulheres rurais
e aumento da participação delas no processo de desenvolvimento.
Para
o gerente regional da Emater, Cristovon Videira Ripol, as mulheres são
consideradas sujeitos sociais fundamentais para o desenvolvimento da
agricultura familiar; por isso, consideradas um dos públicos prioritários do
serviço oficial de assistência técnica e extensão rural. "Nesse sentido, o
Encontro significa uma oportunidade para fortalecimento de diversas ações que
podem estimular e impulsionar o crescimento econômico e social das comunidades
rurais, sempre em consonância com as prioridades da própria Secretaria de Estado
da Agricultura".
A
extensionista social Jandira Lourdes Valmorbida, que coordena a organização do
evento, explica que graças à participação nos encontros regionais promovidos
pela Emater desde 1994 e nas reuniões e cursos promovidos pelos técnicos do
Instituto nas comunidades, muitas mulheres agricultoras deixaram de exercer uma
função apenas auxiliar na vida do sítio e passaram ao papel de protagonistas.
"Posso exemplificar isso com o caso de uma família cujo o homem era
criador de gado de leite e tocava o negócio praticamente sozinho. A mulher
dele, após ser encorajada pela participação nos debates, resolveu empreender.
Com nossa orientação, investiu numa agroindústria de panificação. O negócio deu
certo e hoje seu marido praticamente largou da bovinocultura de leite para
reforçar a equipe que trabalha e administra o novo empreendimento
familiar".
O
Encontro hoje vai abrir espaço para a apresentação de várias experiências como
essa. "Queremos que essas mulheres rurais expressem a sabedoria que possuem,
compartilhando o conhecimento em dinâmicas especiais".
O
coordenador regional, José Francisco Lacerda, comenta que o investimento em
pequenas agroindústrias tem sido a principal estratégia encontrada pelas
mulheres agricultoras e trabalhadoras rurais para conquistar maior emancipação
econômica. "Esses negócios giram em torno das padarias e das
agroindústrias que fazem o processamento mínimo de hortaliças e frutas. A
produção geralmente é vendida em feiras e para o Programa Nacional de Alimentação
Escolar e Programa de Aquisição Alimentos da agricultura familiar".
O
extensionista explica que apenas no espaço rural de Apucarana já existem 9
panificadoras cujas proprietárias são mulheres agricultoras. "E todas elas
construídas e equipadas seguindo critérios técnicos e também todas elas
legalizadas".
Outro
assunto que está em debate no Encontro é o problema da sucessão familiar.
"Por tradição e cultura, os negócios nas propriedades rurais, geralmente,
são administrados pelo chefe da família, que é o homem. É ele que negocia a
contratação do crédito, compra os insumos e vende a produção. O jovem e a
mulher, como já dissemos, exercem um papel secundário nesse mundo. Com mais
liberdade de escolha, o jovem então faz a opção por deixar a família em busca
de novas oportunidades na cidade. A dúvida que fica: quando os pais
envelhecerem, quem vai continuar o trabalho na propriedade?", comenta
Lacerda. Outro motivo para o êxodo do jovem agricultor do campo para a cidade é
a maior oferta de serviços de lazer e educação no meio urbano.
Segundo
o técnico da Emater, ao debater o assunto nos encontros com outras mulheres e
especialistas que estudam essa realidade, a mulher fica mais capacitada para
promover a discussão da questão no sei do lar. "E também aqui encontramos
exemplos de jovens que deixaram a família e depois retornaram para ser parceiro
da própria mãe na condução de novos empreendimentos não agrícolas mas realizado
no espaço rural", finaliza Lacerda.
Através
de atendimento direto ou com a realização de eventos coletivos, como encontros,
seminários, cursos, reuniões e dias de campo, a Emater atende durante o ano um
público que chega a 112 mil pessoas. Ente elas estão 3 mil jovens agricultores
e quase 9 mil agricultoras.
Informações AEN
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