A
atitude do consumidor na hora de comprar pode fazer muita diferença para o meio
ambiente e para o futuro do planeta. É necessário levar em conta bem mais do
que o preço, a qualidade e a marca do produto. É preciso avaliar as
consequências de cada escolha para evitar o esgotamento dos recursos da
natureza, que são limitados e difíceis de repor.
Água,
combustíveis fósseis, madeira, tudo isso pode acabar um dia se não houver um
consumo consciente. Medidas simples como escovar os dentes com a torneira
fechada, reduzir a impressão de papéis ou abolir o uso do carro em pequenas
distâncias contribuem para a garantia de um mundo mais equilibrado com menos
desperdício.
As
pequenas mudanças em nosso dia a dia incluem ainda pensar em como é feito o
produto e qual o seu destino final. Por exemplo, usar sacolas de tecido em vez
de sacolas plásticas, que gastam muita água e energia na sua confecção, poluem
o ambiente e levam centenas de anos para se decompor.
Onde
comprar também é uma decisão importante. A empresa é certificada? É reconhecida
por práticas socioambientais? A matéria-prima é extraída de forma sustentável?
Tem embalagens recicláveis? Usa trabalho escravo ou infantil?
Para
o Ministério do Meio Ambiente, o consumidor consciente é aquele que considera,
ao escolher os produtos que compra, o meio ambiente, a saúde humana e animal e
as relações justas de trabalho.
Dia do consumidor
A data de 15 de
outubro foi instituída, em 2009, como o Dia do Consumidor Consciente, que age
de forma responsável e solidária, pensando nas gerações que ainda virão. Para a
diretora do Departamento de Produção e Consumo Sustentáveis do Ministério,
Raquel Breda, essa prática deve ser estimulada desde muito cedo, com as
crianças.
“A
compreensão de que se pode viver e ser feliz com menos e sem apego aos bens
materiais, evitando assim o consumismo, é um ato de formação do indivíduo para
a cidadania ambiental”, afirma.
Antes
de consumir, as pessoas devem se fazer perguntas: preciso mesmo de um aparelho
celular novo? Será que o armário não está lotado de roupas e sapatos sem uso,
comprados por impulso? E aquele objeto quebrado, será que não dá para
consertar? Ou que tal trocar? Diversas iniciativas da sociedade, como as feiras
nas quais se troca de brinquedo a computador, além de sites colaborativos na
internet que incentivam essa prática, estimulam valores como o desapego, o
respeito ao próximo e ao meio ambiente.
O
consumo consciente segue o chamado Princípio dos 3 Rs: reduzir, reutilizar e
reciclar. O Instituto Akatu sugere mais um R, de refletir.
Excesso de lixo
Com
15 anos de existência, o Akatu é uma organização não governamental sem fins
lucrativos, de São Paulo, que trabalha pela conscientização da sociedade em
prol de novos estilos de vida viabilizados por modelos sustentáveis de produção
e consumo.
A
meta é ambiciosa: garantir uma transformação na mentalidade do consumidor, de
forma a mobilizar a população brasileira até o final de 2022.
Para estimular a
mudança de comportamento, são realizadas campanhas em escolas e na mídia,
pesquisas e eventos com foco na educação. O instituto também atua em parceria
com empresas.
Quanto
mais consumimos, mais lixo produzimos. Só no ano passado, o Brasil gerou 79,9
milhões de toneladas de lixo. O dado é da Associação Brasileira de Empresas de
Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). A quantidade de materiais
descartados continua a aumentar no país, tanto em termos absolutos como por
indivíduo.
Em
2015, quase 30 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos foram
depositados em lixões ou aterros que não estão adaptados de forma a proteger o
meio ambiente.
A
reciclagem é uma das ações prioritárias previstas na Política Nacional de
Resíduos Sólidos. A lei de 2010 também estabelece a chamada logística reversa,
que é a devolução ao fabricante de produtos como embalagens de agrotóxicos,
óleos lubrificantes e pneus, pilhas e baterias, lâmpadas, peças e equipamentos
eletrônicos e de informática e eletrodomésticos.
Essa
prática mobiliza os consumidores, que restituem o material, responsabiliza as
empresas, que reaproveitam o resíduo em seu ciclo ou em outros ciclos
produtivos, e promove a integração de municípios na destinação final dos
resíduos.
“Como
consumidores podemos agir de modo ambientalmente correto em relação ao resíduo
que produzimos. Estudos apontam que cada cidadão produz cerca de um quilo de
lixo por dia. Mas esse lixo não é lixo. Entre 60% e 70% podem ser
reaproveitados, pela compostagem, pela reciclagem ou pela reutilização. Então,
de fato, só um percentual bem inferior é destinado ao aterro por ser
considerado rejeito”, explica a consultora do Senado, Karen Kassmayer.
O
que significa que não só o poder público é responsável pelos resíduos. Karen
defende a prática da coleta seletiva na casa de cada consumidor.
“Separar
os resíduos de acordo com a classificação e destinar ao local correto: garrafas
plásticas, embalagens em geral, vidros em uma categoria, papéis e papelão em
outra. Em países desenvolvidos, o próprio cidadão participa da gestão do
resíduo. Inclusive, sob pena até de multas e outras sanções. Mas aqui no Brasil
nós temos primeiro o desafio de estimular que o consumidor faça essa coleta
seletiva”, completa a consultora.
Projetos propõem medidas para o consumo sustentável
Propostas
apresentadas no Senado incentivam o consumo consciente, entre elas a de
iniciativa do senador Eduardo Amorim (PSC-SE) que regulamenta o recolhimento e
a destinação final de baterias automotivas e industriais usadas (PLS
537/2011). Para cada bateria nova, os comerciantes terão de comprovar a
coleta da mesma quantidade de produtos fora de uso.
Wilder Morais
(DEM-GO) propôs a instalação obrigatória de sistemas de aproveitamento de água
da chuva na construção de prédios públicos (PLS
191/2013). A água captada servirá para descargas em vasos sanitários,
irrigação de jardins e limpeza de pisos.
Outra
proposta é o substitutivo de Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) ao PLS
187/2012, de Paulo Bauer (PSDB-SC), que propõe a dedução de até 50% do
Imposto de Renda sobre o valor total das doações feitas para projetos de
reciclagem.
“A reciclagem de materiais e produtos é
estratégica para o Brasil, com benefícios econômicos, ambientais e sociais”,
afirma Bezerra.
O
consumo consciente dos recursos em prédios públicos também é fundamental. O
Senado dá o exemplo e já adota práticas permanentes como monitorar o consumo de
água, energia e combustível e fazer coleta seletiva do lixo.
“Esse
tipo de atitude deve servir de exemplo para outros Poderes e se multiplicar
para toda a sociedade”, avalia José Medeiros (PSD-MT).
Também
foi reduzida a distribuição de copos plásticos descartáveis. A pauta da ordem
do dia passou a ser quase toda eletrônica, o que evita o consumo de 8,5 milhões
de folhas de papel por ano, um custo de cerca de R$ 300 mil anuais.
Ana
Amélia (PP-RS) destacou que “não é só a questão da sustentabilidade do
ambiente, é também o bolso, porque isso custa caro”.
Para
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), é importante “o exemplo individual, não só nos
locais de trabalho, mas também nos locais de moradia”.
Já Paulo Paim (PT-RS)
afirmou que o consumo consciente é “a defesa da vida, do ecossistema”
Informações Agência
Senado
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