O
Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) vai produzir em Maringá, a partir de
2018, medicamentos biológicos e hemoderivados cuja demanda anual pelo
Ministério da Saúde é de R$ 2,6 bilhões. O ministério elegeu o Tecpar, junto
com outros laboratórios públicos brasileiros, para ser o fornecedor de 14
produtos para o Sistema Único de Saúde (SUS).
O
Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira (19) que vai investir R$ 6,4
bilhões para incentivar a produção nacional de medicamentos, insumos e
tecnologias em saúde - a maior parte será destinada à produção de medicamentos.
Parte
destes recursos irá para a construção de três fábricas para atender a demanda
de medicamentos biológicos mais complexos e que respondem por 51% do orçamento
de medicamentos do Ministério da Saúde.
As
três novas fábricas serão construídas no Tecpar, na Fundação Oswaldo Cruz
(Fiocruz) e no Instituto Butantan, que se tornarão fornecedores exclusivos dos
medicamentos biológicos Adalimumabe, Bevacizumabe, Infliximabe, Rituximabe,
Somatropina, Trastuzumabe e Etanercepte. Esses produtos são usados para o
tratamento de câncer, artrite e outras doenças crônicas. O Ministério da Saúde
compra, por ano, R$ 1,6 bilhão destes produtos.
O
formato de parceria para a transferência de tecnologia dos medicamentos faz
parte da política do Governo Federal chamada Complexo Econômico Industrial da
Saúde (Ceis), que criou a Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP),
mecanismo utilizado pelo Ministério da Saúde para que laboratórios públicos
produzam no País, em parceria com empresas privadas, medicamentos hoje
importados.
Hemoderivados
Hemoderivados
Já
para os hemoderivados, o Tecpar, a Hemobras e o Butantan firmaram uma parceria
para fornecer, as três instituições, sete produtos, entre eles plasma de vírus
inativado, fatores de coagulação, imunoglobulina e albumina. Os hemoderivados
são utilizados no tratamento de distúrbios de coagulação e imunodeficiências,
como a Aids e a hemofilia, por exemplo. A demanda por esses produtos traz um
custo anual de aproximadamente R$ 1 bilhão para o ministério.
O
diretor-presidente do Tecpar, Júlio Felix, explica que o Ministério da Saúde
ainda não definiu o percentual que cada laboratório vai produzir dos
medicamentos elencados na atual lista de prioridades do SUS.
“Vamos
produzir uma parte da demanda do Ministério da Saúde em medicamentos biológicos
e hemoderivados em Maringá, a partir de 2018, quando expiram as patentes desses
produtos. Até lá, a nossa estratégia é elaborar contratos, projetos e
licitações”, salienta.
A
produção desses medicamentos biológicos e hemoderivados pelo Tecpar deve gerar
370 empregos diretos e qualificados no Paraná, além de envolver cerca de 20
doutores especializados em pesquisas para auxiliar o desenvolvimento dos
produtos.
Felix
ressalta ainda que a chegada desses investimentos ao Tecpar vai revolucionar o
instituto. “Para o Paraná, esses recursos vão se transformar em investimentos,
empregos e melhor distribuição de renda no Estado. Já para o Tecpar, significa
a consolidação do instituto como centro de Pesquisa e Desenvolvimento e como
produtor de medicamentos de alto valor agregado”, analisa o diretor-presidente.
Ele acrescenta que, além disso, o investimento reforça a independência do
Tecpar como empresa pública paranaense.
Ainda
não foram definidas pelo Ministério da Saúde quais as empresas privadas
parceiras na produção e transferência de tecnologia de cada um dos novos
produtos que o Tecpar será o fornecedor.
TECPAR
O
Tecpar é uma empresa pública do Governo do Estado e tem 76 anos de atividade.
Os negócios do instituto são divididos em quatro grandes unidades: Soluções
Tecnológicas, para dar apoio às empresas que buscam inovar; Empreendedorismo
Tecnológico Inovador, com suas incubadoras tecnológicas e com os parques
tecnológicos, como o Parque Tecnológico da Saúde; Educação, com qualificação
para o mercado privado e ainda com desenvolvimento de capacitações para
servidores municipais de prefeituras paranaenses; e Indústria Farmacêutica e
Biotecnológica, com desenvolvimento e produção de kits diagnósticos
veterinários, vacina antirrábica e produção de medicamentos de alto valor
agregado para a saúde pública brasileira.
Além
disso, o instituto atende demandas do Governo do Estado, sendo executor de
projetos na área de energias renováveis e empreendedorismo tecnológico.
Informações AEN
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