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EDIÇÃO SAÚDE: A importância da mãe para a constituição do sujeito

Hanna Hellena Lucavei Gechele, Psicóloga/ Psicanalista, Graduada em Psicologia – Faculdade Guairacá (2012), pós- graduada em Teoria Psicanalítica e Processos Institucionais em Saúde Mental – Unicentro (2016), Especialista em Avaliação Psicológica Registro e Porte de Arma de Fogo- Qualitá Avaliações Psicológicas (2015) e Formação contínua em Psicanálise – Movimento Lacaniano do CentroSul do Paraná. Atua como psicologa e proprietária da Clínica de Psicologia Hanna H. L. Gechele, Psicologa CRAS – Centro de Referência de Assistência Social (2013-2020), Coordenadora do CRAS (2017-2020) e Professora de Avaliação Psicológica da Personalidade - Atualize Treinamentos e Avaliações Psicológicas (2018-2020).
Por: Psicóloga Hanna Hellena Lucavei Gechele

Nos últimos anos, venho estudando e discutindo a respeito do exercício da função materna na constituição do sujeito, a partir da perspectiva psicanalítica. Minha pesquisa também está envolvida com o ser mãe e ser mulher, enfim, com o mundo feminino e suas implicações. Já tenho dois artigos publicados sobre o tema, e um deles faz parte do segundo capítulo do Livro “Teoria Psicanalítica e Práticas Institucionais em Saúde Mental”. 

Para iniciar a parceria como colunista do Na Hora Notícias, neste primeiro texto vou falar sobre o assunto que estudo.

A psicanálise possui um olhar peculiar em relação à função materna, pois trata-se de uma função necessária para a estruturação do psiquismo da criança. É uma função que envolve diversas questões, cuidados tanto físicos como emocionais, e entre essas questões, está situado o desejo da mãe pelo filho. Nesse sentido, o desejo pelo filho, é um fator importante a ser considerado nesse processo, pois o lugar dessa criança no desejo inconsciente dos pais, antes de mesmo de nascer, pode afetar tanto a construção da maternidade quanto a constituição subjetiva do bebê.

Durante a minha pesquisa, procurei entender primeiramente como ocorre a constituição subjetiva (que é a constituição de uma pessoa como ser humano a partir de suas vivências psíquicas), os elementos que fazem parte desse processo, e a importância do cuidado de quem exerce a função de mãe, buscando um melhor entendimento dos fatores que influenciam a relação mãe-bebê e, consequentemente, a constituição de um sujeito desejante. Para tanto, tive como referência o delineamento da psicanálise, principalmente Freud e Lacan, e colaboradores contemporâneos que utilizam uma abordagem psicanalítica.

Os primeiros anos de vida do sujeito são fundamentais para a sua estruturação subjetiva. O bebê nasce numa condição de total dependência, numa extrema fragilidade psíquica e corporal, e precisa de um outro ser humano para continuar existindo,  precisa de alguém que esteja identificado com ele, e seja capaz de atender suas necessidades, tanto físicas como emocionais. Vale lembrar que a função materna não precisa ser necessariamente exercida pela mãe biológica, esta função pode ser delegada à mãe adotiva, ou adultos cuidadores, como, pai, avós, babás, entre outros

Dessa forma, ao nascer, o bebê tem a necessidade de alguém que se identifique com ele e o ajude em sua constituição, ou seja, a perceber-se como pessoa no mundo, reconhecendo-se no seu corpo e na realidade. O que faz do vínculo mãe e filho um vínculo estruturante, é a particularização do interesse e do desejo da mãe. Os cuidados maternos, como a alimentação e a higiene ganham importância estruturante na medida em que há essa particularização, na qual cada criança tem um lugar específico, desejado pela mãe, sendo necessário que a mesma perceba como fazer para satisfazê-lo e possa reconhecê-lo em suas particularidades.

Assim, a função materna é desempenhada pela pessoa que cuida, amamenta, olha nos olhos da criança, ouve o que ela diz, está atenta aos seus sinais, tanto orgânicos, como emocionais.  Todas essas atitudes permitem ao sujeito perceber-se como único, amado, desejado e importante. Vale ressaltar que esses cuidados dependem da necessidade de cada criança, pois cada um responderá a isso de forma própria.

Porém, o que parece ser simples é também complexo, pois, para que a mãe consiga desempenhar sua função e ter a capacidade de conter as angústias do bebê, é preciso que tenha vivenciado, em sua história pessoal, uma favorável experiência afetiva com sua mãe. Isso ocorre pelo fato de que os fundamentos da constituição do sujeito emergem da relação saudável ou não que ocorreu nesses períodos iniciais. E, para ser capaz de se identificar com o bebê, bem como reconhecer e transformar as necessidades físicas e psicológicas de seu filho é preciso que a mãe tenha vivenciado também essa experiência.

Posso afirmar que o amparo psíquico da figura materna para o bebê é de extrema importância para a constituição subjetiva, sendo a base principal para todos os demais relacionamentos da criança. O adequado relacionamento mãe e filho representam proteção e segurança para a criança, contribuindo essencialmente para a formação adequada do aparelho psíquico e da sua constituição como sujeito.

Se você percebe que existem dificuldades na sua relação com os filhos, ou até mesmo na sua história de vida pessoal que esteja interferindo em suas vivencias atualmente, ou tem interesse em saber mais a respeito desse assunto, estou à disposição.

Clínica de Psicologia, Rua Barão do Rio Branco, 603.
Contato: (42) 9 9902-4828
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