Por Josiane Aparecida de Deus Leite
Essa realidade mórbida
Me sufoca, m entristece
Quero me esvaziar
Desse sentimento de fracasso
Tudo me cansa
Me prende, me perturba
E para onde ir?
Para onde fugir?
Não há um caminho
Uma força divina e mágica
Que me liberte
Desse cárcere esmagador
É angustiante sentir à minha volta
Os olhares de desdém
E sob o disfarce de uma falsa anuência,
A sombra dos sorrisos de puro sarcasmo
A quem culpar?
Por esta geração desatada
Despida de valores e órfã de limites?
Almas inertes, desprovidas de vontade
Que anseiam pelo fruto
Sem o labor do cultivo
Entregues a preguiça de decifrar o mundo!
Nada lhes desperta o ímpeto
Nada lhes faz sentido…
Este lugar poderia ser
Bem mais que um prédio
Um emprego, uma obrigação
Quisera eu que este solo
Fosse um palco fecundo
Onde a vida floresce
E o protagonismo ganhasse o mundo
Sob meu olhar deslumbrado…
Ah! Quem dera foste este meu segundo lar
Meu lugar de inspiração…
Ah! Como desejava ser para estes seres
A voz que desperta sonhos
A presença que traz luz
O alento para continuar,
Mas nada!
Nada lhes faz entender
Que minha alma transborda
Dos mais ricos propósitos,
Não percebem a brevidade da estação
Que logo há de passar…
Que triste realidade
Que causa dissabores
Que me cansa o intelecto
Que insiste em despojar
O entusiasmo dos meus dias
Rotina desgastante
Que antecipa a velhice dos meus ossos…
Quisera eu que neste chão
Ecoasse outro canto
E que tudo ao meu redor
Ganhasse outra cor, outro sentido!
